Em seu blog, Éder Geovane, membro do Clube Argus, fala um pouco sobre as classes sociais no Brasil; que são definidas pelo número de salários mínimos que percebem. Antes de qualquer coisa, vamos distinguir salário e renda; Renda: “7 Série de prestações em dinheiro ou em outros bens, que uma pessoa recebe de outra, a quem foi entregue, para esse efeito, certo capital.” (Dicionário Michaelis – 1998) – “Provento que se auferem periodicamente pelo trabalho ou pela exploração econômica de coisa ou pela aplicação ou investimento de capital. Preço do uso de coisa arrendada.“ (Dicionário Técnico Jurídico – Deocleciano Torrieri Guimarães – 10ª ed. – 2008) – “A sobre remuneração devida à inelasticidade decorrente do caráter limitado de certos fatores de produção (especialmente terra) ou da inadaptação temporária da oferta à procura. Num sentido amplo, o termo é utilizado para designar a renda nacional. Denomina também um fluxo de unidade monetária por unidade de tempo. As teorias clássicas sobre a renda buscavam explicar os rendimentos da terra. RENDA ABSOLUTA; RENDA DA TERRA (FUNDIÁRIA); RENDA DIFERENCIAL; RENDA ECONÔMICA; RENDA FIXA; RENDA IDEAL; RENDA MÍNIMA; RENDA NACIONAL; RENDA PER CAPITA; RENDA PESSOAL – É aquela recebida pelo indivíduo em forma de salário, lucros, juros, aluguel, arrendamento ou remuneração por serviços prestados. É a renda total de todos os indivíduos antes que tenham pago o Imposto de Renda e os demais impostos pessoais. A renda pessoal disponível é o que resta para os indivíduos depois de pagos os impostos. Representa a renda efetivamente à disposição dos indivíduos para consumo ou poupança. RENDA PRESUMIDA; RENDA REAL; RENDA VARIÁVEL.” (Novíssimo Dicionário de Economia – Paulo Sandroni – 13ª ed .- 2004). – Salário: “1 Estipêndio ou remuneração por um serviço prestado, principalmente por dia e por hora; jornal, soldada, soldo. 2 Castigo, recompensa.” (Dicionário Michaelis – 1998) – “Importância paga pelo empregador, em retribuição aos serviços prestados pelo empregado.” (Dicionário Técnico Jurídico – Deocleciano Torrieri Guimarães – 10ª ed. – 2008) – “Remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho.SALÁRIO DE ESCASSEZ; SALÁRIO MÍNIMO - Menor remuneração permitida por lei para trabalhadores de um país ou de um ramo de atividade econômica. SALÁRIO NOMINAL; SALÁRIO REAL – Nível do salário em relação a seu próprio poder de compra em determinado momento. SALÁRIO MÉDIO.” (Novíssimo Dicionário de Economia – Paulo Sandroni – 13ª ed .- 2004).
Das definições acima, podemos perceber que a renda tem um sentido mais amplo que o salário e que este também pode fazer parte daquele não sendo portando a única forma de se obter remuneração.
É sabido por todos, que a RENDA PER CAPITA - literalmente “renda por cabeça”; em economia, indicador utilizado para medir o grau de desenvolvimento de um país, obtido a partir da divisão da renda total pela população – não é distribuída igualmente em vários países, incluindo o Brasil. Assim um país, pode ter uma renda per capita elevada, mas uma distribuição muito desigual, não sendo possível observar por este índice as disparidades na distribuição desta renda; em contra partida, um país pode ter uma renda per capita baixa, mas uma renda bem distribuída, não registrando grandes disparidades entre ricos e pobres.
Partindo das observações anteriores, vamos imaginar que a nossa renda; a renda em nosso país seja bem distribuída, exatamente igual para todos. Poderíamos definir este valor como sendo o salário mínimo, ou melhor, a renda mínima – seria o valor equivalente a renda per capita do país. Assim sendo, ela atenderia, em tese, as nossas necessidades; então, não haveria as distinções de classes sociais.
Fica a pergunta: por que isso não acontece?
Nós também somos responsáveis por isso, e creio que pelo fato de como nos comportamos (agimos ou reagimos) diante das relações de consumo e poupança – poupar não é o mesmo que investir.
O fator comportamental influencia na lei da oferta e da demanda e esta no fator inflacionário (ou deflacionário) contribuindo para o desequilíbrio.
O gráfico abaixo mostra a relação de oferta e demanda:
Muitas pessoas fazem a comparação do seu poder aquisitivo pelo número de salários mínimos que percebem do seu trabalho e muitos sem a preocupação de desenvolver uma renda a mais.
Supondo que você tenha uma renda equivalente a 20 salários mínimos (R$ 10.200,00); talvez você pense: ah! Assim ta melhor, agora eu consigo consumir mais e melhor; no entanto, voltemos aos índices inflacionários das décadas de 70 e 80, com inflação superior a 800% e remarcação diária de preços; talvez agora você pense: ai não dá mais, pô! Agora vou precisar de pelo menos mais 20 salários, além do que já recebo. Ou seja, 40 salários mínimos (R$ 20.400,00). Em pouco tempo este valor também não será suficiente.
Agora, vamos supor que os mesmos 20 salários mínimos, com índice inflacionário de hoje, passe a ser o novo salário mínimo. Ele atenderia suas necessidades básicas? Ou seja, um salário mínimo seria suficiente?
Podemos concluir que o fator mais adequado para avaliar o nosso poder aquisitivo não é o salário mínimo, mas o índice de inflação; e este, como já disse é, e muito, influenciado pelo nosso comportamento de consumo.
Abaixo, encontra-se a pirâmide de Maslow:
Pirâmide da Hierarquia das Necessidades de Maslow.
Para o psicólogo Abraham Maslow, as nossas motivações estão organizadas em uma hierarquia de necessidades, partindo de motivos primários, instintivos, que vão desde os inferiores até os superiores. Quanto mais baixo for o motivo, tanto mais crucial ele é para a sobrevivência, e sua ordem se dá conforme cada necessidade for satisfeita; então, enquanto certa necessidade inferior não for atendida não apareceriam às necessidades superiores.
O sociólogo americano William I. Thomas, também apresentou uma lista de motivos: Desejo de segurança, de correspondência ou resposta, de reconhecimento, prestígio ou aprovação e de novas experiências.
Bom, caro leitor; como conhecimento é poder e vivemos na era do conhecimento, estas informações são utilizadas, e muito, para estimulá-lo não só a atender suas necessidades mais inferiores, como também para desenvolver as demais necessidades e conjugá-las.
Por exemplo: A necessidade fisiológica, como alimento, está conjugada a determinadas marcas e serviços que estimulam as necessidades de afiliação, estima e auto-realização.
A necessidade de segurança, como habitação, também está relacionada às demais; onde morar, aparência do habitat e outros. Vestuário, marcas e grifes da moda, acessórios e etc.
Ser aceito socialmente é estar de acordo com os padrões dos demais, faz parte da 3ª necessidade da pirâmide e esta traz junto com ela a necessidade superior.
A pirâmide de Maslow, hoje, talvez possa ser vista assim:
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As pessoas que vivem em regiões mais isoladas dos grandes centros urbanos conseguem chegar a todos os níveis da pirâmide tendo para isso poucas exigências. O homem primitivo, ao buscar sua caça ou abrigo ficava tenso, mas depois de satisfazer sua necessidade sentia-se realizado, até que estas poucas necessidades surgissem novamente. O homem moderno vive com constantes necessidades e estas nunca são completamente satisfeitas, criando tensão e consequentes prejuízos ao seu bem estar e relacionamento; podemos citar como exemplos pessoas com depressão, ansiedade ou estresse que causa depressão; pois elas não buscam satisfazer as três primeiras necessidade (fisiológica, segurança, afiliação e amor) e consequentemente não poderão atingir o pico (auto-realização); pois lhes faltam auto-estima.
Os acessos que temos aos mais variados meios de comunicação, que possibilitaram à aproximação das nações, influenciam demasiadamente nas nossas opiniões, valores e hábitos; sem mencionar os fatores biológicos que associados aos sociais permitem que sejamos muito mais suscetíveis a estes estímulos.
Em psicologia, bem como aplicada à economia; há o teste do marshmallow, cujo objetivo é avaliar a impulsividade. Proponha dar imediatamente a uma criança, pode ser a partir de 4 anos de idade, um doce do qual ela goste muito; porém, se ela aguardar você sair, por uma hora, ao voltar ela recebera não um, mas dois doces. A criança impulsiva, imediatista, não conseguirá aguardar e preferirá receber o doce imediatamente; caso esta conduta permaneça, este comportamento será parte deste indivíduo por toda a vida. Serão estas as pessoas que ficarão presas ao cheques especiais, cartões de crédito, empréstimos e outros; não terão capacidade para poupar e, muito menos, investir e não conseguirão gerar mais renda.
Muitas pessoas também não fazem uso de planilha financeira, não executam nenhum mecanismo de controle e planejamento para administrar seu orçamento; entretanto, há aqueles que fazem uso de maneira equivocada, utilizando apenas para registrar seus prejuízos. Gastam tudo e um pouco mais, depois se certificam do óbvio (prejuízo total) e permanecem com o mesmo ciclo vicioso por não conseguirem controlar seus impulsos.
Há muito para falar em pouco tempo, podemos fazer deste pouco algo muito valioso; e como penso, o conhecimento pode ser como um mosaico, onde cada diferente peça encaixada pode nos dar uma visão (formar) do todo, e com certeza sempre faltará algo; porque onisciência é uma capacidade divina.
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